Desafios para um casal

Casamento é doação

casalConta-se, que certa vez um casal brigou e se trancou. Não conversavam mais. Só através de bilhetinhos quando necessário mesmo. Mas o silêncio conjugal ia se tornando enervante. Era preciso voltar às boas. Nenhum dos dois queria dar o braço a torcer. O jeito seria, sempre através de um bilhete provocar um susto, um impacto. Assim pensou o marido. Assim fez. Inventou uma viagem e pôs no bilhete: “Amanhã vou viajar para longe. Favor acordar-me às 6 horas”.

Agitado como estava, só conseguiu conciliar o sono altas horas da noite. Quando acordou, já era dia claro, relógio marcava mais de oito horas. A mulher se esquecera de acordá-lo? De chamá-lo? De maneira nenhuma. Em cima do “criado-mudo” havia outro bilhete: “São seis horas. Levanta-se!”. Concluíram que o bilhete não resolve todos os problemas. Ele soltou uma gostosa gargalhada. Ela também. E tudo voltou à vida normal.

O casamento é doação e aceitação recíproca de todo o ser pessoal, entre um homem e uma mulher, para toda a vida, sejam quais forem às circunstâncias que se deparem no futuro. A exigência deste compromisso é grande, visto que o futuro não está escrito e não se pode adivinhar. Mas essa incerteza própria da natureza humana, não significa que as pessoas não possam exercer a capacidade de prometer e cumprir o que livremente prometeram.

A doação e aceitação recíprocas implicam a acolhida do outro tal, como o outro é e não como gostaríamos que fosse, ou tal como se é nas representações mentais que fazemos a cerca dele. Trata-se de aceitar, “amar” o outro tal como realmente ele é, com as suas virtudes e defeitos, com as suas características positivas e negativas, a maneira diferente como se comporta, até as suas manias.

“Porque ninguém” argumenta Paulo, “jamais odiou a sua própria carne, antes a alimenta e dela cuida”. E, escreveu mais: “Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo” (Efésios 5, 28).

Convém ter em mente que o outro é uma pessoa única, irrepetível, insubstituível, sem ninguém parecido, e que a sua singularidade não tem réplica. Essa relação deve ser permanentemente espreitada, pois não há como conservar uma relação sem cultiva-la a cada dia. A união do casamento seria a mais íntima de todas as relações humanas. Por ela, marido e mulher se tornam uma só carne. “Por isso, deixa o homem o pai e a mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn, 2,24). É com esse espírito de acolhimento e de respeito às limitações do outro, é que devemos nos comportar como Marianos que somos. “Nossas ações são nossas referencias”.

Salve Maria.