Respice Stellam › 04/01/2014

Mãe Puríssima

vitosssEntre as invocações contidas nas Ladainhas Lauretanas, a invocação Mãe puríssima é uma das mais profundas e comovedoras. Reservando para Maria este título, o povo cristão reconhece na humilde jovem de Nazaré a obra prima de Deus. Maria é toda de Deus, desde sempre e para sempre. Ela é verdadeiramente a “toda bela, livre de toda mancha do pecado original - Tota pulchra es Maria et macula originalis non est in te” canta a Igreja na festa da Imaculada Conceição, inspirando-se no Livro Cântico dos Cânticos (4,7). Cantar a pureza de Maria significa tornar-se disponíveis e humildes para acolher o dom de Deus: Ele, de fato, é a fonte da pureza. Num mundo onde ser cristãos é sempre mais difícil, Maria, a Mãe puríssima nos convida a reconhecer o primado de Deus na vida do homem recuperando um olhar bom e límpido sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre as coisas. Este olhar permite colher todo o positivo que existe na realidade e nos leva a considerar, além da superficialidade, das aparências e da instrumentalização somente a beleza que salva o mundo (F. Dostoevskij): aquela do amor de Deus. Invocar Maria puríssima significa voltar a confiar em Deus, a deixar-se guiar por Ele, pondo de lado o nosso orgulho e a nossa autosuficiência, experimentando saudade e admiração por toda obra boa; significa voltar a ver o mundo com os mesmos olhos de Maria, aqueles olhos  amados e venerados por Deus, como  diz Dante na Divina Comédia. Ser puro é como acolher em nós o projeto original de Deus, ver as coisas sob a luz de Deus, assim como fez Maria. Papa Bento XVI diz que nesta visão de pureza “o homem que se dirige a Deus não se faz pequeno, mas engrandece, porque graças a Deus e junto com Ele se faz grande, se torna divino e se acha assim como ele é. Assim é Maria: o fato de que seja totalmente junto de Deus é a razão pela qual a faz também perto dos homens". Este olhar puro consegue mudar o modo de entender a vida, segundo aquilo que o poeta francês Péguy escreveu numa oração à Virgem de Chartres: “Eis o  lugar onde tudo se faz fácil saudade. O único lugar da terra onde tudo é dócil... Aquilo que por toda parte é uma luta áspera... Aquilo que por toda parte é solidão. Aqui nada mais é que um vivaz germinar... Contaram-nos tantas coisas, Rainha dos apóstolos, perdemos o gosto pelos discursos. Não temos mais altares a não ser os vossos. Não sabemos nada mais a não ser uma simples oração”. Qual seria esta simples oração?  Aquela que tantos anos atrás aprendemos a cantar nas cálidas noites de maio sobre os joelhos de nossas avos e nossas mães, que nos ensinavam a pedir a Maria uma vida pura. “Quando na sombra a noite cai – é esta, ó Mãe – a minha prece: pura e santa, tornai – minh’alma: Ave Maria!”. (Mons. Martino Canessa).
Vito Nunziante
Presidente da Região Norte - Federação Rio de Janeiro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Atendimento VEJA +

Sede: Praça Dr.Benedito Meireles, n°13 - Apt. 53 - Aparecida - SP Filial para correspondências: Rua Visconde de Inhaúma, n°134 - Salas: 316/317. Centro - Rio de Janeiro - RJ CEP: 20091-007 contato através do telefone 21 2263-3506 ou e-mail: contato@cncmb.org.br

Publicações VEJA +
Enquete
Congregados Marianos, estão gostando da nova revista Estrela do Mar?
Ver o resultado