Respice Stellam › 27/07/2014

Mãe Imaculada

vito1Esta invocação da Igreja se refere ao fato de que Nossa Senhora foi preservada da mancha do pecado original desde o seu primeiro instante da conceição no seio de Sant’Ana para gerar a Jesus. O dogma proclamado pelo Papa Pio IX aos 8 de dezembro de 1854 com a Bula Ineffabilis Deus, após séculos de estudos, tornou tal afirmação como crença obrigatória para toda a cristandade.

Base desta afirmação papal, como em todos os demais dogmas marianos, é sempre a Sagrada Escritura. Neste caso encontramos referências no Primeiro Livro da Bíblia, o Gênesis que nos relata a promessa feita por Deus à serpente infernal: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua estirpe e a dela: esta te esmagará a cabeça e tu procurarás ferir-lhe o calcanhar” (Gn 3,15).

A realização de tal feito não seria possível se a mulher, a nova Eva, estivesse submissa ao pecado como as demais criaturas escravas do inimigo por causa do pecado. Isto sugere, portanto, que a Mulher profetizada por Deus não teria nada em comum com o inimigo, pelo contrário, seria sua opositora e inimiga muito mais poderosa que ele com capacidade de lhe esmagar a cabeça.

Outros trechos sugeridos pelo Antigo Testamento que podem levar-nos ao dogma da Imaculada são encontrado no Cântico dos Cânticos: “Toda bela és, minha amiga, em ti não há mancha alguma” Cn 4, 7) e no Livro do Provérbios: “Quando não existiam os abismos, eu fui gerada; quando ainda não existiam as fontes ricas de água” (Pr 8,24).

Referência básica no Novo Testamento é a passagem que relata a saudação do anjo na anunciação, considerada, pela Tradição como essencial ao dogma da Imaculada. De fato, com as palavras: “Alegra-te cheia de graça” (Lc 1, 28), o anjo queria dizer que n’Ela não havia sombra de pecado e sim unicamente a graça, a santidade de Deus.

A igreja grega ortodoxa, com base no protoevangelho de São Thiago, livro apócrifo, atribuiu a Maria, desde a antiguidade, o título de Παναγία, Panaghìa, “toda santa”. Santo Agostinho, opondo-se aos inimigos da santidade de Maria, proclama: “a piedade impoe o conhecimento de Maria sem pecado… Pela honra do Senhor… Maria absolutamente não entra na questão quando se fala de pecados” (De Natura et Gratia, 42 (PL 44,267). Passados séculos de estudos e discussões, o Papa Pio IX decide consultar o colegio dos Bispos que, na tradição católica tem valor magisterial subordinado ao papal, e o faz com a encíclica Ubi Primum de 1849. Na ocasião 546 bispos dos 603 consultados declararam-se a favor do dogma de 8 de dezembro de 1854 com estas palavras: “declaramos, afirmamos e definimos a doutrina que sustenta ter sido a beatíssima Virgem Maria no primeiro instante de sua conceição, por uma graça e um privilégio singular de Deus Onipotente, na previsão dos méritos de Jesus Cristo Salvador do gênero humano, preservada intacta de toda mancha do pecado original, e isto deve, portanto, ser objeto de fé certa e imutável para todos os fiéis”. Inúmeras aparições de Nossa Senhora vieram em seguida confirmar a veracidade de tal proclamação. Entre elas destacamos a de Lourdes  em 11 de fevereiro de 1858 onde a Mãe de Deus afirmou à vidente Santa Bernadete  ser a Imaculada Conceição.

Vito Nunziante
Presidente da Região Norte Federação Mariana do RJ
Congregação Mariana NS Auxiliadora e São João Bosco (Riachuelo)

 

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