Espiritualidade Mariana, na vida do Congregado

ccmmINTRODUÇÃO

A finalidade deste artigo, será suscitar no congregado mariano a importância de sua consagração a Nossa Senhora, a partir da experiência de vida, em uma espiritualidade. Partindo de textos dos Evangelho, onde desponta a origem da Espiritualidade e que chega até nossos dias, nessa época de mudanças, na qual estamos inseridos, onde os valores se subvertem. Partindo da espiritualidade de Maria, chegamos ao modelo de nossa espiritualidade, com acabamento num pensamento paulino, que muito impulsiona nossa vida de congregado.

ESPIRITUALIDADE CONTEMPORÂNEA

Na vivência da Espiritualidade Mariana, em nossa vida de congregado mariano, temos que nos ater a espiritualidade mesma de Maria, àquela que acreditou e perfeitamente aderiu a revelação, professando a sua fé, porque para Deus nada é impossível.

Na Carta aos Hebreus, um discípulo de Paulo, talvez Apolo, escreve em 13,8: “Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade”, indicando a cada cristão, que o SIM de Maria, se deu no ontem, se dá no hoje e repercute na eternidade. Esta é a importância de compreendermos a nossa consagração na Congregação Mariana, enquanto, confirmamos ao cantar o nosso hino: “… e te juramos ó Mãe querida, fidelidade por toda a vida”. Trata-se de uma adesão total, tendo Cristo como centro da história.

É tão válido esta visão de Maria a serviço do Filho, pois no Evangelho de João, é confirmado com suas palavras: “Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância”. (Jo 10,10). Estar consagrado a Maria é estar conectado a Jesus na busca da santidade, pois só n’Ele encontramos a mensagem do Reino, querendo que cada congregado mariano consagrado, viva perenemente no amor, na verdade, na paz e na justiça. Será, no mesmo Evangelho, de João, que Jesus apontará o sentido de nossa fé no seu projeto, “… para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna”. (Jo 3,15).

Para que fomos criados? Porque nos consagramos? A espiritualidade de Maria, nos sinaliza a resposta: “amar e servir” sempre seu Filho, nos mostrando que viver a espiritualidade contemporânea, será resgatar o que Maria fez com seu Filho, onde recolheu à sua insignificância perante a significância que importava, seu Filho Jesus, pessoa Divina, segunda Pessoa da Trindade Santa, nosso Redentor.

 

ÉPOCA DE MUDANÇAS

Sim, este é o sentido, viver uma autêntica consagração numa época de mudanças profundas e rápidas, onde basta um click com o mouse, navegando pelas redes sociais, nos deparamos com um mundo diverso, daquele querido por Deus.

Uma excelente oportunidade são os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, será oportuno o congregado mariano, viver esta experiência diária, onde, a partir do discernimento irá dando respostas para sentir a consagração em sua vida. Numa época de mudanças, na qual estamos inseridos, onde o que vale é o “jeitinho brasileiro” e a “lei do mais forte”, nossa experiência espiritual sofre problemas, trazendo um certo desânimo, afastamento e até silêncio. O pior, é que estas experiências influenciam nossas lideranças, que talvez, não estejam praticando como deveriam a espiritualidade ensinada por Maria, e vão definhando na busca da santidade e substituindo tal prática, por gestos e ações oferecidos pelo mundo, que não nos santifica.

Nos vem três perguntas: 1. Como ser evangélico levando a sério a sua vida no mundo? 2. Como ter espírito pascal procurando a promoção humana? 3. Como captar a vontade de Deus sem fugir do mundo, mas antes situando-se no seu íntimo?

Uma boa proposta, já mencionamos acima, será a experiência dos Exercícios Espirituais, conforme sugere a nossa Regra de Vida em seu nº 24. Mas, mediante a diversidade apontada pelo Espírito de Deus, existem outras iniciativas. Encontre a que melhor o faça experimentar com ardor de coração, a exemplo da humildade de Maria.

Bem nos fala o apóstolo dos gentios, apontando um caminho, que decerto foi seguido por Maria, em sua vida junto a Seu Filho: “Tornai-vos os meus imitadores, como eu o sou de Cristo”. (1Cor 11,1). Paulo, fala ao povo de Corinto e também, a cada um de nós, na nossa história de vida, pedindo que sigamos a sua fidelidade ao Cristo.

 

ESPIRITUALIDADE DE MARIA

A verdadeira espiritualidade se faz na ELEIÇÃO, na entrega total àquele que se revela. Após o diálogo narrado na Anunciação do Anjo a Maria, que se faz extenso, e, Maria, reflete, questiona, responde, e mais uma vez questiona, até ser provocada pelo anjo, quando dirá que para Deus nada é impossível e Maria, conforme nos narra o evangelista Lucas, responde: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela”. (1,38).

A Natividade, faz o Menino chegar de uma Mulher, que não havia conhecido homem algum e que pela nossa fé a chamamos de Imaculada Conceição. O Menino, cresce em sabedoria, estatura e graça e Maria o Apresenta no Templo, onde há o encontro com o profeta Simeão, que irá, iluminado pela Sabedoria de Deus, provocar em Maria uma mensagem, que foi narrado no Evangelho Lucano: “… a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma” (2,35).

Vida que segue, e Jesus sai pregando a Boa Nova, implantando o Reino. Que seja sempre feita a “vontade do Pai” e não a “nossa vontade”, como sempre queremos. Por onde passa, Jesus transforma o “velho” em “novo” e sua Mãe sabiamente em sua humildade escuta alguém falar: “Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!” (Lc 11,28). Maria, sempre nos aponta Jesus.

Por fim, o amor irá nos deixar, e após tanto sofrimento e entrega, ainda sem forças humanas, mas com a força do Espírito, irá dizer à sua mãe: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19,26).

Sim, a espiritualidade de Maria se concentrou na Páscoa de Cristo… “evidentemente mestra de vida espiritual para cada um dos cristãos”, conforme nos diz o Papa Paulo VI na Marialis Cultus, nº 21, alargando a compreensão de nossa consagração, que deve partir de uma vida espiritual, ou seja, deixando que o mistério Pascal tome conta de nós, para nos tornarmos pneumatizados, ou seja, repletos do Espírito Santo.

Podemos crer, nas sábias palavras, proferidas no século XVIII, pelo congregado mariano São Luiz Maria Grignion de Monfort, tempos difíceis, onde se deparava com a Filosofia da Razão, síntese do Iluminismo. Dizia o Santo: “Eu disse que o Espírito de Maria é o Espírito de Deus. Com efeito, ela jamais se deixou conduzir pelo espírito próprio, mas sempre pelo Espírito de Deus, que se fez Senhor e dono dela a tal ponto que se tornou o próprio espírito de Maria”.

Uma analogia, que somente aqueles livres das amarras do mundo poderão compreender, somente aqueles que procuram viver, como autêntica, a sua consagração a Maria, poderão experimentar.

 

ESPIRITUALIDADE DO C.M.

Nossa Regra de Vida, em seu nº 13, citando o Santo Congregado Mariano, João Paulo II na sua Exortação Apostólica Christifideles Laici, nº 10, nos fala que “O centro da espiritualidade própria do Congregado Mariano é a busca permanente de viver a radical novidade cristã que promana do Batismo”.

Sim, recebemos no Batismo a graça santificante, mas recebemos quando crianças e não raro, nossos pais e padrinhos não acompanham nossa vida, mas o mundo sempre atento, vai retirando de nossas vidas a santidade recebida, a qual precisamos atualizar ao longo da vida na recepção dos Sacramentos. E, porque não de um Sacramental? Que é a nossa consagração a Nossa Senhora, que colabora sobremaneira, quando compreendida, neste retorno à graça, para vivermos como prediletos Filhos de Deus, acolhidos por Maria, e como bem dizia o apóstolo Paulo, sermos “justificados”.

O Papa Pio XII, dizia no século passado aos congregados marianos, que devemos ter em nossa vida uma “marca mariana”, que é a consagração a Nossa Senhora, “uma doação de si mesmo… expressão de uma intensidade de vida cristã e mariana… Vida interior pujante, que se desdobra em obras exteriores de sólida devoção, de culto, de caridade e de zelo”. E, que, mais tarde, o Papa Paulo VI, irá declarar num dos mais importantes documentos do Concílio Vaticano II, que Maria é nossa “Mãe na ordem da graça” (Lumen Gentium,61)

Por analogia, e contemplando a Plenitude dos Tempos, podemos entender nossa consagração assim: “Deus fez uma proposta”, enviando o Arcanjo Gabriel a Maria, que irá dizer: “Exulta kecharitoomènee” (cheia de graça), apelativo que define Maria diante de Deus. E, você congregado, quem foi seu Arcanjo Gabriel, que um dia o fez uma proposta, para se juntar à Maria, como consagrado e como congregado mariano.

Maria, fica perturbada e começa uma viagem interior, no silêncio, em busca da intellectus fidei (inteligência da fé). Pois, Maria é humana como nós, entende, mas não compreende. A partir do convite, também ficamos assim, respondemos: – vou pensar! Cada um tem seu tempo, seu ritmo, mas nos questionamos sobre um chamado deste: ser congregado mariano.

O anjo continua e diz que o Espírito Santo irá transforma-la na nova Shekinah, a nova Casa de Deus e que sua virgindade é apenas um espaço oferecido à fecundidade do Spiritus creator. Quem nos convida, apresenta razões para entrarmos para a congregação mariana; que lá iremos nos encontrar, nos transformar e estaremos na busca da santidade, onde iremos priorizar em nossa vida em “Tudo, Amar e Servir”. A congregação mariana deve ser espaço santo, onde nunca deve prevalecer o “armai-vos uns aos outros” e sim o “amai-vos uns aos outros”.

Maria dá uma resposta ao Arcanjo, repleta de “compromisso” e “responsabilidade”, ou seja, não é uma resposta qualquer, mas para toda a vida. Assim, na Plenitude dos Tempos, a Palavra de Deus ganha um rosto, que irá viver, pregar, morrer, ressuscitar e continuar na nossa história, como Pão da Palavra, a Eucaristia, alimento propício, que tremendamente irá colaborar, animar nossa caminhada, onde poderemos ser as mãos visíveis de Maria nessa época de mudanças, sendo alento a muitos que precisam de amor, carinho, paz, justiça, verdade. Nossa consagração, há que ter “compromisso” e “responsabilidade”, senão, nada acontece.

A partir do SIM de Maria, forma-se uma “ALIANÇA”, onde a santidade de Deus, se revela em Maria, permitindo que em virtude da graça de Cristo, faça que em Maria todos os membros da Igreja desse o seu fiat mihi à encarnação. Assim, fazemos nossa Aliança, limitada, mas com vontade de servir, olhando a nosso interior e perguntamos sobre o nosso MAGIS, qual o mais que posso oferecer a Deus, a Maria, à Igreja, a minha congregação mariana, a meu próximo.

O fruto desta Aliança será a MISSÃO. A Missão de Jesus é implantar o Reino; a Missão de Maria, que de evangelizada é nossa evangelizadora, é de ser nossa Mãe na ordem da graça; a Missão da Igreja é gerar novos cristãos a partir do Batismo e a nossa Missão de congregado mariano, é fazer valer em nossas vidas o que tanto cantamos em nossas concentrações: “nós somos missionários por Cristo convidados, vamos, pois, congregados seu Reino construir”, pois é, este é nosso compromisso, é nossa responsabilidade, que promana de nossa consagração, ser discípulo e missionário do reino, neste mundo em contradição e cheio de desafios. As perguntas do Reino, acontecendo em mim: Sou capaz de amar, capaz de ser verdadeiro, capaz de promover a paz, capaz de viver na justiça. Esta é a utopia do Reino que devemos buscar em nossas vidas de consagrado.

 

CONCLUSÃO

A partir do discurso de Paulo aos Romanos em Rm 5,1-5, deparamos com algo que nos anima, pois “1Justificados, pois, pela fé temos a paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. A fé é nossa resposta a Deus que se revela, só assim teremos paz interior, pois seguidores de Cristo, nada mais precisamos. Nosso Sim, como o Sim de Maria, nos traz esta certeza e nos une a Cristo, Príncipe da Paz.

2Por ele é que tivemos acesso a essa graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus”. Maria, teve esta certeza, já está na glória de Deus, assunta ao céu. Ao escolhermos Maria, temos acesso a mesma graça, que um dia recebemos no Batismo e a ratificamos com a nossa consagração. Tudo é graça.

3Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência”, Lembra da profecia de Simeão, aprendemos de Maria, assim como ela aprendeu de Jesus, ser paciente na tribulação. Escola para todos nós, principalmente nos dias de hoje.

4a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança”. Maria, santa e fiel, nos ensina a não perdermos a esperança, e podermos dizer, com toda certeza, que Maria é Mãe da Esperança.

5E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. A sombra do Espírito estava com Maria na Anunciação, e a força do Espírito estava com Maria em Pentecostes. Recebemos esta sombra, recebemos esta força, recebemos esta graça. Vamos, como Maria, fazer nova todas as coisas.

Salve Maria!

Eduardo L. Caridade

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