Cada Época forma sua imagem de Maria

maria-com-o-menino-maria-hilf-blumengirlande-alemanhaFoi o próprio Deus que nos deu o sinal da Virgem” - Ireneu de Lião (130-200)

O lugar de Maria na obra redentora de Cristo é tema de discussão desde o século II. Ela é o modelo da Igreja, na personificação do amor de Deus em várias épocas e culturas, e a Igreja volta-se constantemente para ela a fim de conhecer os aspectos sempre variáveis do discipulado cristão. Como os tempos e as culturas variam, as exigências do modo de vida radical do Evangelho também variam. Podemos dizer, que toda época forma inconscientemente uma imagem de Maria de acordo com seu ideal de santidade e discipulado. Sempre houve forte influência mútua entre a oração e a crença, e o desenvolvimento da devoção popular refletiu a crença tradicional do povo na poderosa intercessão de Maria. Enquanto os teólogos abordavam questões de doutrina na evolução e no desenvolvimento do pensamento teológico sobre Maria, os fiéis comuns continuavam a demonstrar intensa reverência para com a Mãe de Deus, em oração e em devoção. As devoções de gerações de cristãos à medida que eles moldavam sua imagem da Mãe de Jesus que personificava o amor de Deus por eles. Essa imagem moldada pela imaginação dos cristãos adaptou-se às necessidades religiosas dos fiéis. A imagem mariana criada através dos tempos nunca é neutra. Não existe nenhuma Maria universal; cada comunidade tem sua própria Maria, que reflete a imagem e o interesse de seus devotos. Toda comunidade católica expressa os valores de sua fé e suas funções para confirmar certa espiritualidade e práxis. Elizabeth Johnson, concorda com a conclusão de Raymond E. Brown de que “é precisamente essa falta de conhecimento que permite à figura de Maria prestar-se mais livremente que a de Jesus a uma trajetória simbólica pela história cristã”. Nas palavras de Johnson, “muitos poucos acontecimentos comprovados cercam a figura de Maria, e, por isso, sua persona é mais acessível a ser moldada por diversas projeções com referência a virtudes e valores do fiel ideal”. Embora os inícios do culto mariano sejam obscuros, desde tempos primitivos a devoção a Maria encontrou expressão dentro da liturgia. A veneração de Maria utilizou elementos do “culto do Mediterrâneo da Grande Mãe”, e foram-lhe atribuídos títulos, orações e funções da deusa, embora a integração em uma estrutura cristã nem sempre fosse bem-sucedida. Já em 150 d.C., um “afresco da Virgem e o Menino Jesus” foi pintado nas catacumbas de Priscila, em Roma. No século II, preocupações cristológicas influenciaram o aumento da proeminência de Maria, e sua virgindade foi enfatizada para contrapor-se a opiniões docéticas e gnósticas de que a humanidade de Jesus era irreal. Na década de 1930, “foi encontrado o fragmento do papiro de uma oração antiga dirigida a Maria sob o título de Theotókos. As palavras gregas são as mesmas da invocação a Maria em latim mais tardio: Sub Tuum Preesidium confugimos Sancta Dei Genetrix (Sob tua proteção, Ó Santa Mãe de Deus...). Origina-se do fim do século III o do século IV. Essa oração, que foi adotada nas Igrejas: Bizantina, Copta, Etíope e Latina, mostra-nos o desenvolvimento inicial da fé na intercessão de Maria nela expressa. Fonte: Coyle, K., Maria tão plena de Deus e tão nossa, Paulus,2012.

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