Notícias da Igreja › 01/02/2014

Morre, aos 81 anos, João Batista Libânio

1553Vítima de um infarto, o padre jesuíta João Batista Libânio faleceu na manhã desta quinta-feira, 30-01-2014, em Curitiba (PR). Padre Libânio estudou Filosofia na Faculdade de Filosofia de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, e  cursou Letras Neolatinas na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Foi professor de Teologia no Colégio Cristo Rei, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, em São Leopoldo (RS), e no Instituto Teológico da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas). Posteriormente, foi professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Seus estudos de Teologia Sistemática foram concluídos na Hochschule Sankt Georgen, em Frankfurt, Alemanha, onde também estudou com os maiores nomes da Teologia europeia. Era mestre e doutor (1968) em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. O jesuíta era professor na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia e vigário da paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Vespasiano. *** O texto do Padre Libânio: Jovens católicos e o desafio da evangelização, é uma colaboração da Presidente da Federação de Belo Horizonte: Simone Cristine. Há visível corte cultural entre duas gerações de jovens com que a pastoral católica se confronta. As análises descritivas apontam diversos sinais de diferença. Vão desde o modo de vestir, de falar, de relacionar-se com os pais, mestres e adultos até o imaginário que os assalta e domina. Na brevidade da presente reflexão não cabe assinalar a longa série de elementos de diferença. Vamos nos deter em três deles: a posição no seio da família, a descoberta explosiva da própria autonomia e a imersão no mundo midiático. Sem levar a sério esses pontos, a pastoral se perderá em conselhos piedosos e ineficientes. Não está em jogo primeiramente o aspecto religioso, nem mesmo a fé, mas a situação existencial anterior e que permeia todas as relações dos jovens. Alguns traços marcam a diferença no interior da família: poucos irmãos ou nenhum, menor presença dos pais e mais casa que lar. As famílias numerosas que sustentavam as vocações no interno da Igreja, quer para sacerdotes e religiosos, quer para leigos engajados, reduzem-se cada vez a menos filhos. Esses, por sua vez, se veem absorvidos pelas atividades da idade, escola ou lazer. A Igreja deixou de ser espaço privilegiado da vida dos jovens para reduzir-se a algumas celebrações esporádicas, sem constância e continuidade. Em algumas paróquias, as primeiras eucaristias e as crismas ainda reúnem grupos consideráveis de crianças e jovens, mas que desaparecem logo depois de cumprido o rito. Tem-se prolongado o tempo de preparação para garantir melhor formação e assim esperar maior perseverança. Até o momento, não se percebe nenhum resultado significativo. A inconstância na prática religiosa remonta a outras raízes. Esbarramos na falta de vínculos consistentes entre filhos e pais, por a família ter perdido coesão, tempo de convivência. Tem-se transformado para muitos filhos jovens mais em casa material de proteção – comida, cama, roupa lavada e liberdade sexual – do que em família onde se discutem, elaboram os problemas da vida. E a prática religiosa constitui-se um desses problemas básicos que já não se trabalham no interior da família. E fora dela torna-se difícil criar convicções religiosas. O segundo elemento avulta. A força exterior da tradição sobre a consciência e liberdade dos jovens tende a ceder espaço para a descoberta da própria autonomia. Esta, por sua vez, identifica-se com o gosto, o prazer, a busca da satisfação individual. A visão cristã bate-se de cheio contra este traço da cultura atual. Por isso, cada vez menos jovens se engajam nessa direção e se deixam envolver pelo contínuo fluir dos próprios gostos. Jean-Claude Guillebaud cunhou para traduzir tal tendência a pesada expressão: Tirania do Prazer [Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999]. Difícil trabalhar pastoralmente junto a jovens dominados por tal tirania. Uma palavrinha final sobre o peso do mundo midiático sobre a geração jovem. Tema que merece maior aprofundamento na linha do tipo de conteúdo que os assedia continuamente. Cria-se novo hábito de pensar e agir. A fantasia vê-se povoada de imagens provocantes. Os aparelhos de som e o tocar dos celulares ocupam o ouvido. Sobra pouca energia para outra atividade que o encaminhe para uma reflexão sobre a fé. Tal quadro parece pessimista. Mas sem considerá-lo, trabalha-se em vão. Dentro de cada uma das coordenadas indicadas cabe pensar novos meios de evangelizar.
Pe. João Batista Libanio, SJ
Professor da Faculdade Jesuíta de
Teologia e Filosofia (FAJE)

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