A origem das Paróquias

comunidadeO Documento n° 100 da CNBB apresenta no capítulo III, específico tópico sobre a origem das paróquias. Estamos no Séc. IV da Era cristã, no ano 313, quando o edito de Milão declara liberdade religiosa em todo o Império Romano. Mas, somente com o edito de Tessalônica, no ano de 381, assinado pelo Imperador Teodósio, o cristianismo passou a ser a religião oficial do império e aos poucos vai conseguindo adeptos.

As comunidades cristãs se organizam administrativamente e em total correspondência com a vida social da época. Aquela relação Igreja-Casa que existia, começa a enfraquecer; cria-se locais fixos chamados domus ecclesiae, para as diversas reuniões da comunidade, sob a direção de um presbítero. Esses locais de culto são chamados, em Roma, de titulos. Se chamavam paróquias as comunidades rurais afastadas da cidade, onde moravam os bispos e seu presbitério. Mas, só a partir do Séc. V, o sistema paroquial ganha autonomia, com os presbíteros à frente, desenvolvendo as funções de presidir a Eucaristia, batizar e promover a reconciliação. Aos poucos, o sistema paroquial começa a se impor na cidade e surge a diocese, como expansão das comunidades eclesiais urbanas.

A unidade da Igreja, se expressa na Eucaristia, que era celebrada pelo bispo. Institui-se o fermentum, que era o fragmento do pão consagrado, levado às comunidades para as missas celebradas pelo presbítero. Deste modo a Eucaristia da comunidade se traduzia em prolongamento da Eucaristia episcopal.

Devido ao crescimento populacional, as paróquias, que eram originariamente rurais, com o passar do tempo, passam a ser a Igreja instalada na cidade.

No ano 476, será o fim do Império Romano no Ocidente, devido à invasão dos bárbaros. Uma nova etapa acontece nas comunidades cristãs, pois existia estreita ligação entre Igreja, Estado e sociedade. Nesse período, aparecem as ordens religiosas e mosteiros que atraem pessoas que buscam uma espiritualidade que a paróquia não conseguia proporcionar.

No início do segundo milênio, aparece a noção de mundo dividido entre dois poderes: o temporal e o espiritual, sendo este último considerado superior, pois o Papa coroava o Imperador. Destacamos o Papa Gregório VII (1073-1085), que promove a Reforma Gregoriana, pois, pretendia fazer à Igreja regressar às suas origens e afirmar o poder papal, diante das ameaças dos senhores feudais. Desenvolve-se a Igreja mais jurídica que sacramental. Mas, a paróquia permaneceu sendo a referência para os cristãos.

No Século XVI, o Concílio de Trento, não modificou o perfil estrutural da paróquia, mas, insistiu que o pároco residisse na paróquia e instituiu o seminário para formar o clero. Estabeleceu os critérios de territorialidade e propôs a criação de novas paróquias para enfrentar o crescimento populacional. As determinações do Concílio de Trento, delineou o modelo de paróquia que chegou até o Concílio Vaticano II.

Sob a égide do Concílio de Trento surge às congregações marianas, na ordem da Companhia de Jesus (jesuítas), depois se inserirão nas paroquiais. Podemos ver o contexto de sua criação no artigo “no tempo da prima primária”, nesse site.

No próximo tópico, vamos partilhar um pouco, sobre a formação das paróquias no Brasil.

Eduardo L. Caridade

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